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Fonte: Pensamento líquido |
Professora de Ed. Infantil e Psicóloga. Trabalha com escrita e leitura terapêutica. Também escreve poesias, contos, crônicas, resenhas de filmes e livros relacionando-os com temáticas da psicologia.
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25/03/2019
Código: IS 40.8
Minuciosamente seus olhos passeiam por todas as figuras dos quadros. A exposição leva um nome curioso e não há informação alguma sobre a origem ou inspiração das obras. Nem se quer um breve relato sobre a representação das mesmas. Tratam-se de reproduções gráficas de um seleto grupo de sapientes designers que também são historiadores. No entanto, só o fato de serem designers está claro.
15/02/2017
Filme: Quando te conheci (Equals) #crítica
Título original: Equals
Título no Brasil: Quando te conheci
Diretor: Drake Doremus
Gênero: Drama, ficção científica, romance
Música: Sacha Ring
Lançamento: 2016
Elenco
Principal: Nicholas Hoult - Silas
Kristen
Stewart - Nia
Guy Pearce - Jonas
Jacki Weaver - Bess
Imagine um mundo
onde os SENTIMENTOS
são proibidos
Eu me apaixonei perdidamente por esse filme. Não só
pelo personagem principal Silas (Nicholas Hoult), que além de lindo demonstra um jeito todo especial de revelar sua paixão por Nia (Kristen Stewart), mas pela forma
delicada de como as cenas foram apresentadas e interpretadas por todo o elenco. Foi um tipo de filme que eu fiquei pensando: Uau! O
cinema é uma arte maravilhosa!
Assim como é bem subjetivo a forma com que cada
pessoa percebe e sente cada arte, seja uma música, um quadro, um poema, uma
escultura... Cada um vai ter a sua própria percepção do filme, portanto, talvez
alguém depois de ler esta crítica possa achar o filme muito ruim, mas o fato é
que eu me identifiquei tanto com o filme que até suspeito que foi eu que
escrevi o roteiro. Hahaha
A forma sutil com que Silas vai se interessando e
se apaixonando por Nia, me fez suspirar de tão sublime. Ele forja situações
para estar ao lado dela e até grava a sua voz para escutá-la quando está em
casa sozinho.
Silas e Nia são jovens. Mas não tão jovens, embora
as sensações, interesses e desejos que sentem um pelo outro são super novas para
ambos, pois, nunca antes foram sentidas, apesar de Nia, já ter sentimentos
bem antes de Silas, todavia os esconde de todos. Aliás, Filme perfeito para Kristen
- a atriz de Crepúsculo - que não podia demonstrar emoções neste filme. Ela é perfeita
para esse papel. Qualquer diretor do mundo teria pensado nela primeiro. Hehe.
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| Atriz Kristen Stewart como Nia (super expressiva) |
Quando eles tocam um no outro pela primeira vez
é tudo muito sensível e cortês. O envolvimento dos dois se dá de forma
gradativa. Não como os romances atuais bem efusivos e avassaladores. Não há
euforia e sim uma descoberta altamente poética, apesar de perigosa. E eu
acredito que é isso que mais me encanta no filme, além é claro, do cunho
reflexivo que me trouxe.
No filme, o efeito monocromático mesmo sendo
compreensível e inerente à história é entediante, e a falta de ação é bastante
enfadonha, mas há muita tensão na questão do romance ter de ser ocultado
socialmente, pois isso é um fator super apreensivo e eu diria até desesperador.
É um amor singelo e apesar de toda minha
empolgação, é um tipo de filme na medida certa para quem não gosta de romances
muito melosos.
Quando assisto obras cinematográficas com
essa temática utópica e futurista, ao mesmo tempo vou traçando um comparativo
com a nossa realidade e o fato de no filme as emoções e sentimentos estarem quase erradicados, me chocou muito, porque me fez pensar em algo que a nossa sociedade, especialmente os mais jovens, têm cultivado, que é um discurso muito comum de: "Não se
apega, não!" Um tipo de conselho para que as pessoas se tornem frias para
não sofrerem com as possíveis consequências ruins de um rompimento amoroso.
Em Quando eu te conheci (Equals), as pessoas que
sentem, são classificadas como doentes. A possibilidade de chorar com a morte de
alguém, o fato de se apaixonar ou querer o toque de alguém, são os sintomas de uma doença em que a cura é almejada por boa parte da
população.
Inclusive, há uma parte em que o personagem
confessa à sua equipe de trabalho que está doente e seu chefe afirma que assim
como já encontraram a cura para o câncer, irão encontrar cura para
"isso" também.
Quando as pessoas passam a demonstrar sentimentos, é tido por alguns como
vergonhoso, uma grave patologia, por tanto, as pessoas que sentem e tentam um
contato mais direto com outros humanos, são denunciados ao Conselho de
Segurança e Saúde e têm grandes chances de serem mortos.
Em Equals, é como se as emoções humanas
fossem um fator super limitante das nossas competências. Como se afetasse a
nossa capacidade cognitiva, intelectual e a eficiência do profissionalismo; algo ameaçador da produtividade e do bem estar. A vida é robótica, sem cor, sem
peculiaridades, sem vida! Sem peculiaridades, porque inclusive o nome do filme
traduzido significa iguais.
Portanto, traçando esse paralelo entre ficção e
realidade, sabemos que, pequenas demonstrações de afeto, amor ao próximo,
empatia, solidariedade, compaixão, gratidão, são valores bem raros. E quando há
pessoas que demonstram boas doses de alguns desses valores, suas ações são
recebidas com estranheza ou desconfiança.
Às vezes as pessoas sensíveis, são vistas como frágeis
e vulneráveis. Por isso, algumas pessoas adquiriram resistência em demonstrar
afetividade, e muitas vezes se tornaram ou forjam apatia porque não querem ser
rotuladas dessa maneira.
Enfim, o filme encerra de uma forma emocionante e
mais uma vez eu vi ali a nossa sociedade demonstrada de forma caricata em uma
ficção científica que deveria ser uma obra fictícia apenas, porém, infelizmente
denuncia sutilmente nossos relacionamentos empobrecidos e mal conservados.
Entretanto, o olhar diferenciado sobre o fim do
longa rendeu-me um proveitoso aprendizado: Tudo o que já foi importante e que por
algum motivo deixou de ser, se teve relevância, os bons momentos estarão retidos
na memória e revivê-las de forma consciente, é imprescindível para dar um novo
significado àquilo que já teve um valor na sua vida, pois, nem tudo precisa ser
desfeito ou descartado. Embora, também exista a necessidade de se ponderar
e refletir com minúcia a insistência no investimento de sentimentos, em algo onde
não haja reciprocidade. Para entender melhor, você precisa assistir Equals.
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