Mostrando postagens com marcador Resenhas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Resenhas. Mostrar todas as postagens

17/04/2019

Série Tidelands, Temporada 1 - O processo de Categorização Social


Título: Tidelands
Direção: Toa Frase
Autores: Stephen M. Irwin e Leigh McGrath
Temporada 1
Ano: 2018
Gênero: Drama, Aventura
Elenco Principal: Charlotte Best (Cal McTerr),

                           Elsa Pataky (Adrielle Cuthbert),

                           Aaron Jakubenko (Augie McTerr),

                           Marco Pigossi (Dylan).


     Produzida na Austrália, a série conta a história de um grupo chamado Tidelands que possui alguns poderes especiais por serem filhos de sereias. Na série, as sereias são criaturas que com o seu canto atraem os pescadores para o mar e, após terem relações com eles, engravidam, os matam e abandonam seus filhos nas rochas. Neste seriado, as sereias se apresentam como monstros do mar e não têm uma aparência agradável como em outras histórias do gênero. 
     A série se inicia com Cal McTerr (Charlotte Best) que após sair da prisão, tenta retomar sua vida na cidade onde morava e, ao descobrir que possui poderes especiais como os Tidelands que são metade humano e metade sereia, vai até o grupo a fim de descobrir mais sobre si mesma. 
     Os Tidelands vivem em uma comunidade isolada da cidade e se sustenta fazendo negócios com os pescadores locais, que inclui o comércio de drogas. A líder Adrielle (Elsa Pataky) está disposta a fazer de tudo para proteger sua tribo, no entanto, tem interesses pessoais que esconde de todo o grupo. 

Elsa Pataky como Adrielle Cuthbert, líder dos Tidelands


     É uma série interessante, tem uma história bem aventureira, intrigante, mas há uns excessos tanto em relação à violência, quanto ao cunho sexual, que ao meu ver, são apelativos (todo mundo pega todo mundo), mas talvez faça parte da trama, já que os Tidelands são criaturas sensuais, poderosas e perigosas. 
     O ator brasileiro Marco Pigossi, tem um papel de destaque na série, ele interpreta o braço direito de Adriel. 

Os atores Marco Pigossi (Dylan) e Charlotte Best (Cal McTeer)

     O que possibilita a discussão da Categorização Social através da temática da série, é o conflito enfrentado pela protagonista que teve a missão de descobrir quem ela era, de onde vinha e qual sua verdadeira história de vida. 
     A partir do momento que Cal detecta que possui habilidades sobrenaturais e identifica-se com os Tidelands, diferencia-se dos demais seres humanos. Dessa maneira, é pertinente comentar sobre a Categorização Social. 
     A categorização é um processo que facilita e simplifica a organização dos objetos, pessoas, ideias, acontecimentos, instituições etc, agregando-os em grupos por suas características comuns. Podemos conceituar a categorização social como uma forma sistemática de organização que permite comparar os indivíduos identificando-os e agregando-os. 
     Segundo estudiosos, a categorização social possibilita ao indivíduo saber sua posição na sociedade, por meio do grupo ao qual pertence. Assim, o indivíduo adquire consciência de sua identidade social e esse conhecimento traz significados emocionais. Essa percepção das semelhanças e diferenças pessoais com um determinado grupo, recebem os nomes de assimilação intracategorial, que se refere a minimização das diferenças e a diferenciação intracategorias que é a maximização das diferenças. 
     A categorização social representa, portanto, uma atividade cognitiva que envolve o agrupamento (formação de categorias), o auto posicionamento em uma ou mais categorias (inclusão), a diferenciação entre categorias (contraste), a escolha de um foco central de cada categoria (protótipo) e a determinação das distâncias existentes entre os vários objetos agrupados e o seu protótipo (grau de tipicidade). 
     Como apontou Taifel, grande estudioso desta temática, o indivíduo tende a afiliar-se em um grupo, quando este é capaz de lhe fornecer alguns aspectos satisfatórios para a sua identidade. 
     E a partir desta afirmação, o autor propôs que a categorização social tem 3 componentes psicológicos: Cognitivo, Avaliativo e Emocional. O primeiro é a compreensão do indivíduo de sua pertença a uma categoria social, a segunda é a avaliação que este faz numa dimensão de valor e a terceira se refere as consequências emocionais dos componentes anteriores no indivíduo. Estes três componentes formaram a base da identidade social do indivíduo. 
     Percebe-se estes conflitos na personagem Cal, quando esta descobre não ser um ser humano comum após identificar-se com o grupo Tidelands; assimilar as similaridades existentes entre eles e a diferenciação dos demais humanos, além dos conflitos emocionais decorrentes desta descoberta.


















REFERÊNCIAS:


1- Categorização Social - FamaPsico. Acesso em Abril/2019


2- O Processo de Categorização Social [...] por Mirlene Maria Siqueira e outros autores, 1994. Acesso em Abril/2019

09/08/2018

João e Maria por Neil Gaiman e o valor da parceria na relação familiar


Título: João e Maria
Versão: Neil Gaiman
Ilustração: Lorenzo Mattotti
Editora: Intrínseca
Reimpressão: Abril/2018
Páginas: 55
SINOPSE: Neil Gaiman e Lorenzo Mattotti lembram o horror e o fascínio que sentiram quando leram João e Maria dos irmãos Grimm. Agora, escritor e ilustrador se unem nesta brilhante releitura de um dos maiores clássicos de todos os tempos. Seja forte, corajoso e prepare-se: Gaiman e Mattotti vão levar você para um passeio nas profundezas da floresta.

     A versão de Neil Gaiman é a mais próxima da versão real, sem aquelas adaptações para tornar a história mais leve e menos chocante ao público infantil, tendo o autor pesquisado outras publicações.
    Ao final da história de Hasel e Gretel que no Brasil é João e Maria, é apresentado resumidamente o contexto histórico em que o livro foi publicado, suas versões posteriores à primeira publicação de 1812 e qual período social os irmãos Grimm poderiam ter se baseado para escrevê-lo.
     A leitura é agradável e rápida não só pela pouca quantidade de páginas, mas porque causa curiosidade sobre seu desfecho, uma vez que há diversas versões.
     A adaptação em questão, é muito bem escrita, poética, possui ilustrações feitas por Lorenzo Mattotti que inclusive fizeram parte de uma exposição e foi por meio deste evento que o convite para o livro surgiu. A capa é dura e a diagramação do livro também está bastante especial, digna de coleção.

     Os pais de João e Maria eram camponeses, viviam confortavelmente antes da guerra, pois, quando esta chegou, ocorreu a fome e é por esse motivo que os irmãos são abandonados na floresta pelo pai, à mando da própria mãe.
     Encontrando a casa de uma velha bem idosa, João e Maria que estavam famintos, saboreiam as paredes da casa da velha que é toda feita de doces. Os irmãos são recepcionados com simpatia pela velha que acredita que finalmente encontrou carne. Ela prende João em uma jaula a fim de degustá-lo, mas como não enxerga bem, é engabelada por Maria que mostra um osso toda vez que tenta averiguar se João engordou para poder assá-lo.
     É um conto para adultos, o final é bastante otimista e é exatamente a partir do desfecho da história, que pode-se pautar a análise sobre a parceria no contexto familiar.
"O dia minguou e veio o crepúsculo, as sombras de esgueirando, saindo de debaixo de cada árvore, formando poças cada vez maiores, até cobrir o mundo inteiro em uma única e imensa sombra." p.17
     Relação familiar é aquela em que indivíduos moram em uma mesma casa, têm vínculos sanguíneos ou não, dividem interesses comuns, se comunicam e mantém um vínculo afetivo independente do papel que se exerça seja pai, mãe, filho ou filha, marido, esposa, irmão ou irmã, avô, neta etc.
     Já a palavra parceria relaciona-se à cooperação, interação, companhia, é quando duas ou mais pessoas criam juntas estratégias e agem para realizar um objetivo em comum.
     Os irmãos João e Maria tiveram diversos momentos desoladores. Passaram pelo período da guerra, da fome, o abandono dos pais, o terror de terem sofrido na floresta sozinhos, depois todo o pavor e sofrimento nas mãos da velha.
     Não há absolutamente uma única família, seja de qual classe social for, que não vivencie conflitos e problemas. No entanto, a chave para superá-los é justamente buscar o convívio e a comunicação saudável e não isolar-se frente aos mesmos.
     Os momentos de conflito levam à fragilidade física e psicológica. É bastante difícil, nessas horas, criar estratégias, manter a sanidade e o foco necessário.
     Assim que ouviu o plano de sua mãe para abandoná-los na floresta, João buscou meios de retornar para casa e inicialmente, os planos foram bem sucedidos até que eles não conseguiram mais retornar e ficaram sozinhos na floresta, vulneráveis a todo tipo de perigo e, como se o abandono não fosse bastante traumático, os irmãos viraram prisioneiros de uma velha antropofágica.
     O curioso é que foi lá na casa da velha que eles conseguiram, após derrotá-la, bens materiais para retomarem suas vida no local onde cresceram. É a lição de que os problemas e obstáculos nos dão oportunidades de crescimento e mudança.
     Mas a grande lição do conto, é que ambos estiveram juntos até o final, não culpabilizaram um ao outro e ainda sim, depois de tudo o que vivenciaram, foram capazes de perdoar o pai.
     Sendo assim, o ideal é que se busque um bom relacionamento de afinidade e companheirismo na família, porque isso se constitui em um fator decisivo para superar os momentos difíceis.

Talvez você não teve uma velha canibal para enfrentar, nem tenha ficado perdido na floresta ao ser abandonado por seus pais, talvez não tenha passado fome após enfrentar a guerra, mas é possível que já pôde contar com alguém de sua família em momentos de grandes dificuldades, seja lá quais tenham sido. Qual o maior desafio que você e sua família tiveram que enfrentar juntos? 

CONTA PRA MISS

07/06/2018

Série e Filme Dance Academy e os benefícios da Dança

“Eu sempre soube que em outra vida eu sabia voar...

E é por isso que nessa vida eu danço.” 

(Temporada:1 Episódio:1) 




      Por que gostamos tanto de ouvir e assistir histórias? Seja por meio de uma peça de teatro, filme, livro ou série? 

     Dance Academy aborda fatos comuns do cotidiano juvenil de forma leve e divertida.

     Pas de deux, arabesque, plié, cabriolé, passé, superação, pressão, expectativa, frustração, intensidade, competitividade... Tudo o que permeia o mundo de todas as pessoas que se dedicam ao ballé profundamente, está presente de forma bastante real.

      As 3 temporadas e 1 filme, resume a vida escolar de alunos da Academia Nacional de Dança durante e após o ensino médio. A evolução de todos os personagens tanto fisicamente como artisticamente, é bem interessante, por isso, crível!

     Destaco as narrações densas e poéticas realizadas na maioria dos episódios e no filme pela personagem Tara Webster; destaco a alternância no foco dos personagens para que todos tivessem a mesma visibilidade e também a questão de intercalar cenas de dança com outros contextos para que não ficasse cansativo.

     Enfim, um ponto muito interessante da série é quando ocorre uma situação muito triste e inesperada com um dos personagens e, a maneira como essa situação é apresentada, foi muito inteligente. Pois, se pôde ter noção de todo o sofrimento que um evento desse tipo causa na vida real, onde a gente fica buscando explicações para algo que nunca iremos conseguir compreender.

     Ou seja, a forma como isto se deu no episódio, trouxe um desconforto e um incômodo por causa da descontinuidade. E despertar essa emoção ao expectador, foi um efeito brilhante. Além é claro, do fato de toda a história tanto da série, quanto da continuação no filme, ser imprevisível, portanto, surpreendente!

     Resiliência humana é a capacidade de se refazer, voltar a ser inteiro novamente depois de ter estado completamente despedaçado. Dance Academy é uma história que fala da capacidade de se reinventar, de descobrir que existem possibilidades de ser feliz em situações para além daquela que você imaginava não poder viver sem.      

     Essa é a proposta de quem conta uma história. A proposta de conversar com o outro por intermédio da arte. Seja a arte da escrita ou da atuação. É por isso que amamos ouvir, ler e assistir histórias. Porque nos identificamos, nos emocionamos e aprendemos. 



“Aquela sensação de que eu poderia
 girar para sempre ou facilmente cair. 
E quando acordo, não sei se é sonho ou premonição.” 
(Temporada: 2 Episódio:1) 

     Movimentar o corpo a partir do ritmo de uma música tem sido uma prática para além da arte, do entretenimento e do profissionalismo. A dança têm se transformado em uma atividade alternativa e terapêutica que proporciona qualidade de vida.

     A endorfina é um hormônio liberado durante e depois de uma atividade física como a dança. A endorfina regula a emoção e a percepção da dor, por isso, é considerada um anestésico natural, pois, diminui o estresse e a ansiedade, aliviando as tensões, auxiliando no relaxamento proporcionando bem estar e prazer. 

     Produzida na hipófise, a endorfina é liberada para a corrente sanguínea com o GH e ACTH. O primeiro estimula o crescimento e o segundo estimula a produção de adrenalina e cortisol. 

     A Adrenalina por sua vez, dentre muitos outros benefícios, ativa o cérebro e o deixa mais vigilante, com reações mais rápidas e estimula a memória. Já o cortisol tem a função de auxiliar no controle do estresse, na redução de inflamações, e ainda contribui para o funcionamento do sistema imunológico e a manutenção dos níveis de açúcar no sangue, bem como a pressão arterial. 

     A dança pode ser praticada como uma atividade física regular, sem toda aquela pressão como é mostrada em Dance Academy, mas com a finalidade de superar a si mesmo e realizar uma atividade física que lhe dê prazer e que te faça sair do sedentarismo, proporcionando momentos de interação com o grupo com que se dança favorecendo o relacionamento interpessoal e intrapessoal, já que se dança com seu próprio corpo. A dança auxilia no exercício da memória, da expressividade, da criatividade, e é também uma atividade libertadora. 



 

“A mudança costuma ser gradual.

Pontos de mudança tão pequenos, 

que você nem percebe.

E aí, há outros eventos... 

Repentinos, monumentais, definitivos... 

Que mudam você para sempre.” 

(Temporada:3 Episódio:13)



Produtores: Samantha Strauss e Joanna Werner

Direção do filme: Jeffrey Walker

Gênero: Drama

País de Origem: Austrália

Ano da Série: De 2010 à 2013

Ano do Filme: 2017

Elenco Principal: Xenia Goodwin (Tara Webster), Alicia Banit (Katrina Karamakov “Kat”), Dena Kaplan (Abigail Armstrong), Jordan Rodrigues (Christian Reed), Thom Green (Samuel Lieberman “Sammy”), Tim Pocock (Ethan Karamakov), Isabel Durant (Grace Whitney), Thomas Lacey (Ben Tickle), Keiynan Lonsdale (Ollie Lloyd), Tara Morice (Sra. Raine).


05/03/2018

Cinco lições da telenovela Sou Luna - 1ª Temporada

       Sou Luna é uma telenovela voltada para o público adolescente, onde os personagens cantam, dançam, andam de patins, compõem músicas e se apaixonam com a mesma frequência que o elenco feminino troca as cores do esmalte das unhas. rs     

            O andamento da novela é um pouco arrastado (normal, como todas as novelas), alguns personagens são bastante caricatos, mas o que aprecio é a qualidade das músicas, das coreografias, a atuação, a realidade distinta dos adolescentes que convivo, cenário, figurino, diálogos bem próximos ao real, a trama romântica e as mensagens reforçadas de superação, autoestima e coragem.
              Assisti pela Netflix onde está disponível somente a 1ª temporada e as lições que a novela e seus personagens me passaram e que me fizeram refletir foram as seguintes:

1- Ser persistente / LUNA
            A personagem central da história, quando coloca algo na cabeça, ninguém tira. O que é bacana e crível, é que nem sempre ela consegue obter êxito naquilo que almeja, mas Luna não desiste, ainda que a Tamara, sua treinadora ou seu melhor amigo Simón, digam que é arriscado demais ou que não vai dar certo. Ela tenta inovar propondo novos passos às coreografias mesmo com pouco tempo de ensaio, arriscando acrobacias complexas demais a fim de superar-se e não importa o que a Âmbar faça para detê-la, ela nunca se abala.



2- Ser humilde, pedir ajuda quando necessário / RAMIRO
            O personagem Ramiro é o típico narciso (o cara que se acha). Sim! Ele dança bem, canta bem, é lindinho! Mas precisa ser mais humilde. Aliás, sabe-se que quando a pessoa apresenta complexo de superioridade, é porque no fundo, se sente inferior. Mas quando Ramiro começa reconhecer o talento das pessoas ao seu redor e a inclusive pedir auxílio para gravações de vídeos, ajuda com figurino, coreografia e composições de músicas, ele consegue de fato ter mais visibilidade e ser muito melhor. Quando Jobim canta: "É impossível ser feliz sozinho..." Por favor, acredite!



3- Confiar nas próprias possibilidades / JIM
            Se por um lado é preciso descer do palco, quando nos inferiorizamos também não é legal. Precisamos confiar em nossa capacidade, compreender nossas habilidades, ter consciência daquilo que fazemos bem e em que somos bons. Nem se sentir o melhor, nem se sentir o pior. Isso se chama equilíbrio! A todo momento, Jim reconhecia seu talento para uma montagem coreográfica e não se detinha para oferecer ajuda, nem se escondia quando tinha a oportunidade de mostrar os passos que havia criado.




4- Valorizar quem está ao seu lado / JIM e YAM
            É uma dupla com um tipo de amizade que quase não se vê mais. As meninas brigam, sim! Porém, encontram sempre motivos para se perdoarem e voltarem a se falar. Coisa que raramente um adulto faz. Às vezes, os conflitos entre elas ocorriam por questões muito simples e banais, então, a importância do diálogo para uma amizade tão forte, de cumplicidade e lealdade como essa, ficou evidente. O fato, é que elas sabiam que eram especiais uma para a outra e valorizavam isso. 




5- Fazer o que gosta mesmo estando inseguro / NINA
            Essa personagem foi a que eu mais me identifiquei. Principalmente pela sua habilidade na escrita, seus gostos peculiares, diferentes das pessoas de sua idade em relação aos livros e filmes. Também por seu medo e insegurança tanto para revelar sua verdadeira identidade, andar de patins, cantar e falar com o cara que gosta. Curtia muito os diálogos da Nina com sua mãe, as dicas que ela dava para a amiga Luna, as frases que postava como Felicity for Now e os conselhos que recebia do pai. Nina é a personagem que evoluiu ao longo da série e é essa maturidade que a sociedade espera dos jovens.      



– ...então eu estava pensando em abrir uma conta própria. Pra poder escrever o que eu quero e publicar as minhas próprias fotos. Você acha que é uma má idéia, né?
– Não! Como ia achar uma má idéia? Excelente! Seria perfeito! Faça isso! Nem pense! Só faça, Nina!
– E se ninguém me seguir?
– E o que importa? E daí se ninguém te seguir? Não! Não importam as curtidas, não importam os seguidores, o importante é você fazer o que realmente você quer e sente. Se quiser fazer... Você faz! 
(Dálogo de Nina com o pai - Capítulo 19, Temporada 1)

 
E então... Você assistiu ou assiste a série? Ansioso para terceira temporada? Qual o personagem que você mais curte? Não assistia, mas curtiu a postagem? Aprendeu algo? Conta pra MISS!

09/02/2018

Livro: Todos contra todos - O ódio nosso de cada dia / Leandro Karnal #resenha

“As crianças contemporâneas (especialmente as que têm mais de 50 anos como eu) batem o pé, fazem beicinho, mandam mensagem no WhatsApp e argumentam. Mas, como toda criança, não ouvimos ninguém. Ou melhor, ouvimos desde que o outro concorde comigo; então ele é sábio e equilibrado.” p.13




Título do Livro: Todos contra todos – O ódio nosso de cada dia
Autor: Leandro Karnal
Editora: LeYa
Ano: 2017
Páginas: 143
Assuntos: Aspectos sociais; discriminação; preconceito e antipatia.


          A prática da leitura além de promover o entretenimento, permite a identificação e organização dos sentimentos, pensamentos e ideias. Foi o que esse livro me proporcionou.
         Karnal utiliza uma linguagem de fácil interpretação, trazendo concepções bem-humoradas, reflexivas, conflitantes e, por ser historiador e professor, também é bastante didático.  
         O historiador discursa sobre nossas pequenas maldades diárias, fala de Freud e psicanálise, apresenta contextos ao longo da história, fala de política e diz que o Brasil é um país sem grandes catástrofes naturais como os terremotos, tsunamis, vulcões e que por muitos anos reforçamos nossa imagem de um povo amistoso; que historicamente ocultamos o termo “guerra” de nossa história, mas elas aconteceram e foram bastante sangrentas, e, por termos horror ao termo, os livros de história, o amenizam chamando vários massacres e conflitos de “revolta”.
        O fato de sermos um povo hospitaleiro e alegre, não quer dizer que não tenhamos uma face violenta a qual tentamos a todo custo, ocultar sem sucesso algum.
         Os dados sobre a realidade do trânsito são assustadores. De acordo com Karnal, segundo o Observatório Nacional, o trânsito no Brasil faz certa de 40 mil vítimas por ano (dados atualizados, mostram que esse número cresceu consideravelmente).

“Somos um país violento. Violentos ao dirigir, violentos nas ruas, violentos nos comentários e fofocas, violentos ao torcer por nosso time, violentos ao votar.” p.10

         Karnal ressalta que o ódio surge principalmente quando nos sentimos ameaçados, quando o sucesso do outro traz à tona nosso fracasso, ou quando não concordam conosco, ou seja, é mais fácil rotular o outro de machista, esquerdista, feminazi, burro ou outro rótulo qualquer, do que dialogar argumentando. Se alguém não concorda conosco, lhes fechamos a porta de qualquer diálogo. Sem contar que terceirizamos nossas responsabilidades e falhas. A culpa é sempre do outro, nunca nossa.
         Todo o contexto que Karnal oferece para fundamentar suas ideias é bastante elucidativo. Ele recheia o livro de preciosas referências literárias como Memórias de um sargento de milícias, Casa grande & Senzala, O tempo e o vento, 1984, Raízes do Brasil, entre muitos outros.
         O que compreendi ser a maior lição contida no livro é a importância de reconhecer o quanto podemos ser cruéis em relação a algo que não gostamos. E a importância também de reconhecer o sentimento de ódio e não negá-lo, pois, se o identificamos e o compreendemos, é muito mais fácil tratá-lo. Este reconhecimento é imprescindível, porque não há como tratar algo que se diz não ter.

“O ódio sempre existiu e flui por todos os lados. Não é fácil existir e acumular fracassos, dores, solidão, questões sexuais, desafetos e uma sensação de que a vida é injusta conosco. O mais fácil é a transposição para terceiros.” p.11

         O autor ressalta que o fato de alguém odiar algo, diz muito mais sobre quem odeia, do que quem é odiado.
         Alguns exemplos colocados no livro sobre a fonte de nosso ódio estar em nós e não no outro, foram as seguintes:
         – As mulheres passaram a ter direitos iguais e por isso estão ganhando espaço no mercado de trabalho, isso reduz as vagas para os homens, odeio o feminismo por isso;
         – Trabalho doze horas por dia, mas você acorda tarde, odeio essa sua atitude e digo que eu sou a virtude, pois, trabalho e você é preguiçoso, ou seja, culpo a sua preguiça, para não dizer que estou esgotado por excesso de trabalho;
         – Odeio as cotas raciais, porque os negros estão entrando nas universidades e ganhando espaço, quando na verdade, eu não consigo assumir uma vaga;
         – Odeio a Anitta porque ela faz um sucesso que deveria ser meu;  ­
       – Um homem fracassa no seu projeto amoroso. O que é mais fácil? Culpar o feminino ou a si? A resposta é fácil.
      

         
    
        De acordo com Karnal, a internet maximizou a expressão de ódio e intolerância, mas a internet não produziu os idiotas, estes puderam atacar de forma anônima e por isso, covarde, com uma energia muito grande, com certa “proteção” formando grupos de pessoas com pensamentos semelhantes.
          Discordo veemente de sua opinião de que o ideal cristão de amar aos inimigos seja uma utopia. Se ele não consegue e não vê propósito, é um problema dele. rs Não que seja algo fácil, mas é possível! Karnal faz afirmações segundo sua própria interpretação do que é ser cristão e falha. Bem típico de um não cristão que conhece a Cristo de forma técnica e inexpressiva.
         Enfim, o livro é bastante introspectivo. Considero leitura obrigatória! Para quem? Para todos! Pois, o ódio é um sentimento humano e por isso, acomete a todos nós e compreendê-lo, não é tarefa fácil, mas imprescindível para sermos melhores.

“Por isso que digo que para entender o Brasil, nós precisaríamos de mais de Freud que de Marx. Mais subjetivo e psicanalítico do que generalizado.” p.21

14/12/2017

Saiba o que é Mitomania e confira a dica do filme: Um Contratempo

Título original: Contratiempo

Gênero: Drama / Romance Policial

Direção / Roteiro: Oriol Paulo

Lançamento: Jan / 2017

Elenco Principal: Mario Casas, Bárbara Lennie, Ana Wagener, José Coronado.






     “Um contratempo” é um filme espanhol super inteligente, de suspense e reviravoltas, que possui uma história intrigante, cheia de mistério com uma narrativa pautada por situações hipotéticas.

     O filme nos lembra que as atitudes que um pai e uma mãe tomam para fazer justiça por um filho, podem não ter limites, bem como as atitudes que um homem influente é capaz de tomar para salvar sua própria pele, seu nome, sua empresa e sua família.

     Mario Casas interpreta Adrian, um jovem empresário de sucesso, rico e que tem um caso extraconjugal com a fotógrafa Laura, interpretada pela atriz Bárbara Lennie.

     Voltando de um encontro, eles se acidentam e é então que toda a história acontece. É uma história que surpreende nos detalhes.

     A atriz Ana Wagener, que interpreta a advogada, é a peça chave para desvendar tudo o que realmente aconteceu no momento do acidente. É uma mulher firme, que desempenhou um papel muito forte e central no longa.



















       O fato do personagem principal mentir descaradamente, me fez querer relacionar o personagem Adrian, com o transtorno da mentira patológica (mitomania).

     O personagem, não tem essa patologia, afinal, ele só mente para livrar-se de uma condenação iminente, porque ele foi responsável pela ocorrência de um acidente e, depois dele, uma série de crimes com omissão de socorro e ocultação de cadáver, inclusive. As mentiras inventadas por ele, foram para encobrir uma série de outras mentiras anteriores. E é importante ressaltar que nem todo mentiroso é um mitomaníaco. 

     A mitomania é o transtorno que faz com que a pessoa minta de forma compulsiva, é caracterizada por ideação fantasiosa de uma história ou de um personagem. Os sujeitos contam frequentemente histórias inverídicas com o objetivo de ganhar a auto-valorização.

     Normalmente são pessoas que se gabam por se dizerem ser ricas, terem autoridade, fama, entre outras coisas, mas quando são pegas mentindo, ficam até agressivas e como consequência, contam novas mentiras. Os mitomaníacos mentem por gostarem de ser o centro das atenções e por isso exageram no relato de suas histórias, inventando fatos que não aconteceram. Geralmente são indivíduos manipuladores, podendo também ser inseguros, mentindo justamente para sentirem-se mais valorizados e estimados. 

      O mitomaníaco se vale de um discurso crível e plausível, motivado por questões internas, não constituindo em seus relatos, elementos utópicos e irreais. Um mitomaníaco jamais vai dizer que viu um lobisomem, o papai Noel, ou algo do tipo. 

     A mitomania tem diferentes causas, quando não há um quadro de um transtorno maior como a bipolaridade, por exemplo, sua causa pode ser uma maneira do sujeito sentir-se mais seguro socialmente ou por não querer revelar como ele realmente é, com seus erros e falhas, com suas fraquezas e vulnerabilidades.

     Neste caso, o tratamento é feito exclusivamente com terapia. Onde o terapeuta investiga questões relativas à autoestima e eventos traumáticos na vida da pessoa.





E então, você gostou de saber sobre mentira patológica (mitomania)? Ficou interessado(a) no filme “Um contratempo? Conhece algum mitomaníaco? Qual outro filme que você poderia relacionar com a mitomania? Conta pra MISS.

_______________________________


MORANA, Hilda. Psiquiatria Forense – A partir do caso da advogada brasileira na Suíça.Psiquiatry online Brasil. Fevereiro de 2009 - Vol.14 - Nº 2

01/08/2017

Vamos filosofar? Livro "Caixa de Pássaros" #resenha

Título Original: Bird Box
Editora: Intrínseca
Autor: Josh Malerman
Páginas: 268
Ano: 2015

"Viver sem filosofar é o que se chama ter os olhos fechados sem nunca os haver tentado abrir." (René Descartes)


Nesta narrativa, enxergar trazia destruição e morte por causa de umas criaturas que quando eram vistas, faziam com que pessoas enlouquecessem matando quem estivesse por perto e logo em seguida se matasse.
Angústia é minha principal sensação ao ler Caixa de Pássaros. Os capítulos alternam entre passado e presente, o que fez a sensação ser ainda mais intensa.
Apesar de tratar-se de uma obra fictícia, o que aprendi com a história, pode ser útil para nossa realidade.

Jardim Botânico, RJ




Vendas, pouca luz, isolamento, medo, é o que se pode perceber de forma frequente em Caixa de Pássaros.
Mesmo não estando neste mundo distópico do livro, há muitas pessoas que vivem assim, só que diferente desta história, elas podem e devem enxergar, podem sair das sombras, retirar as vendas, mas não querem ou não sabem que podem.
Há uma frase que diz que abrir os olhos, pode ser a coisa mais dolorosa que podemos fazer.
Pode ser doloroso, mas não é tão enlouquecedor como no filme e é o melhor que temos a realizar diante de qualquer questão.
Também tem uma música que se chama “Abri os olhos” composta e interpretada pela cantora Sandy que em um dos trechos ela relata bem o que a frase acima quer dizer: 

Abri os olhos
Não consigo mais fechar
Assisto em silêncio
Até o que eu não quero enxergar
Não sei afastar
A dor de saber...
Enquanto eu penso
Tanto, entendo
O que é mais fácil
Não pensar
O que era certo
Eu aprendi
A sempre questionar

Não sabia que a música da Sandy era assim tão filosófica. rs
Abrir os olhos nesse contexto mais filosófico, significa ir em busca da verdade.
Filosofar é basicamente a reflexão de modo crítico sobre todas as coisas. O conhecimento abre nossos olhos.
A importância de filosofar é o questionamento e, por isso, refletir e ponderar sobre tudo aquilo que nos chega como informação, como verdade. 
     Isso inclui também a crítica sobre nossos próprios pensamentos, crenças, ideais políticos, religiosos, valores, comportamento, relações...
René Descartes, o mesmo autor da epígrafe desta resenha, diz que nossas certezas só são realmente nossas, se um dia elas tiverem sido colocadas em dúvida. Quando duvido, reflito, se reflito, penso. Se "penso, logo existo!"


“Que tipo de homem se acovarda quando o fim do mundo chega? Quando seus irmãos estão se matando, quando as ruas residenciais dos Estados Unidos estão infestadas de assassinatos... Que tipo de homem se esconderia atrás de cobertores e vendas? A resposta é a MAIORIA dos homens. Disseram a eles que poderiam enlouquecer. Então eles enlouquecem.” p. 190


Nesse livro específico e em muitos outros que abordam o terror psicológico, o medo é algo muito frequente. Sabendo que mesmo tendo a função de preservar a nossa vida, o medo em excesso muitas vezes nos paralisa, ressalto a coragem da Malorie, a personagem principal, que foi em busca de uma nova vida literalmente no escuro. Driblando seus medos e incertezas.
Malorie, não acomodou-se em uma situação caótica, mas agiu apesar de todo sofrimento e de toda dor tanto física, quanto emocional que já havia sentido.
Enfim... Muitas vezes em nossa realidade, o presente e o futuro, o crescimento, o desenvolvimento, são atravancados por uma série de fatores que nos dificultam a enfrentar o novo. Quantas vezes deixa-se de realizar alguma coisa por medo do que vai ser encontrado à frente?
Malorie é uma personagem determinada, corajosa, e mesmo tendo sido criada para uma história literária completamente diferente das que aprecio ler, ela ganhou meu coração por ser tão determinada, corajosa, e resiliente. Mais ainda por saber que quem a interpretará na versão do filme é a atriz Sandra Bullock.
Enfim, o que pude relacionar com o livro, é o que aprendi com a vida: Ser ousado, enfrentar os medos, não se acovardar, ser determinado, questionar, refletir...

“O homem é a criatura que ele teme” p. 210

Nossas ameaças são reais. Existem pessoas que alimentam nosso medo, nossa ignorância, a melhor maneira de lutar contra, é retirando as vendas e abrindo os olhos.
Enfim, o final não é esclarecedor, embora a maneira como o autor explica o título do livro através dos olhos de Malorie é surpreendente. Se você gosta do gênero, irá gostar do livro.